Reflexão sobre Cibercultura em torno do autor Pierre Lévy
Educação e Sociedade em Rede
18 de Novembro 2022
Segundo Lévy, filósofo e pensador com visão otimista, sobre o mundo comunicacional na era das tecnologias da informação e sociedade em rede, onde atua como professor e escritor, define “cibercultura”, como o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais) de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço” (Lévy, 1999, p17).Ainda segundo o autor
encontramo-nos (sociedade) a desfrutar de um mar dilúvio de informações, de conhecimentos,
de possibilidades de organizar grupos e comunidades e ampliar o nosso
conhecimento. Toda a sociedade e cada individuo é livre de construir e
beneficiar da inteligência coletiva que segundo Lévy se constrói nesta
permanência de universalização permitida pelas tecnologias de informação
e comunicação, onde a troca de ideias e informações desenvolve a
multiculturalidade.
Baseada na conectividade e
interatividade a cibercultura (construída por indivíduos de todo o mundo) compartilha
as suas manifestações no ciberespaço.
Importante caraterizar o ciberespaço
(onde a inteligência coletiva é gerada e armazenada), como sendo a
infraestrutura que por via dos computadores e ligação com internet, funciona
como o meio de comunicação. Ainda segundo Lévy, o ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que
amplificam a memória, imaginação, perceção e raciocínio, favorecendo novas
formas de acesso à informação, novos estilos de raciocínio e de conhecimento.
Chegamos ao entendimento que
ambos os termos “ciberespaço” e “cibercultura” são cúmplices no processo de
crescimento deste mundo sem fronteiras, onde a inter-atividade e
conectividade têm vindo a modificar a forma como a sociedade pensa, se
organiza e atua.
A sociedade está agora focada
na mudança de comunicação, navegando sem fronteiras e traçando virtualmente a
chamada “aldeia global”.
Segundo o autor Pierre Lévy, vivenciamos
uma “mutação contemporânea da relação com o saber.”
“Um dilúvio sem fim” é
utilizado por Lévy para efetuar comparação com o ciberespaço. Considera a
informação um mar imenso, um dilúvio informativo, onde navegam várias Naus que
se relacionam entre si e cada uma guarda o que os seus fundadores consideram
importante deste mar infinito, em expansão, onde nenhuma nau consegue atracar,
tal como aconteceu com a Nau de Noé. Este
mar dilúvio, alberga também a rede para transmissão e armazenamento de informação.
Partilhando os mesmos interesses cada nau
representa uma comunidade virtual que contribui para a expansão desse
mar. As Naus relacionam-se entre os próprios elementos e entre elementos de
diferentes Naus, num processo de interconexão com troca de informação que
constrói o alimento do mar diluvio, a inteligência coletiva.
Pierre Lévy classifica três princípios como
condições necessárias para que ocorra cibercultura, são eles a interconexão, as
comunidades virtuais e a inteligência coletiva. A finalidade da cibercultura é
potenciar a inteligência coletiva que se forma com cada contributo.
A todo o instante, todas as pessoas podem aceder de
qualquer parte do mundo, (é universal) ao mar diluvio que espera que se
construam Naus, que se juntem ás comunidades virtuais que forem do seu
interesse em cada Nau e que vão contribuindo para a constante construção do mar
diluvio que não tem fim, não possui totalidade.
No dilúvio informativo, o conhecimento está em
permanente expansão e a liberdade enquanto cidadãos permite-nos ser atores
(contribuir e usufruir) na construção da inteligência coletiva que se vai formando,
onde todas as dimensões do mundo podem ser expressas.
Segundo Lévy “estamos vivendo a abertura de um novo
espaço de comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades mais
positivas deste espaço nos planos económico, político, cultural e humano.”,
São inúmeros os exemplos da relação do homem ao mundo virtual, onde o
significado do mundo real existe sempre na nossa mente.
Exemplos: compras em websites; grupos Facebook; grupos
Instagram, Youtube, google tradutor, entre muitos outros.
Assim como Lévy, eu sou uma otimista e até posso me considerar uma “entusiasta” da cibercultura, sabe? Gosto muito dessa ideia de conhecimento em permanente expansão e da possibilidade que temos de contribuir para a inteligência coletiva.
ResponderEliminarNão é sem perigo, mas como disse Fernando Pessoa “Deus ao mar o perigo e o abismo deu/ Mas nele é que espelhou o céu” , não é mesmo?
Boa partilha!
ResponderEliminarCá estamos nós a promover a chamada "inteligência coletiva" na rede !