An anthropological introduction 

to YouTube


An anthropological introduction to YouTube - https://www.youtube.com/watch?v=TPAO-lZ4_hU&feature=channel_page


Neste vídeo Michael Wesch começa por fazer uma retrospetiva acerca do surgimento da ABC e comparação entre os conteúdos de transmissão das 3 principais redes de televisão em 60 anos (supondo transmissão contínua) e a produção de conteúdos feita pelo Youtube em 6 meses, sem produtores só com contributos individuais dos utilizadores, destacando que cerca de 88% dos conteúdos do Youtube são novos e originais, tornando-o um fenómeno a ser estudado e dando o mote para o resto da apresentação em que analisa as novas formas de expressão, de comunidade e de identidade que estão a emergir a partir dele.

Até ao surgimento do Youtube em 2005 era bastante difícil fazer upload de vídeos para a web, através dele qualquer pessoa com uma webcam e acesso à internet pode ter uma voz e uma presença fortes online, o que está a resultar no surgimento de novas formas de comunidade e tipos de comunidades nunca vistas, conexões globais que transcendem o espaço e o tempo, inúmeras e ainda não imaginadas possibilidades. Permite-nos estabelecer relações interpessoais de formas que nunca tínhamos feito nem sequer imaginado e torna possível inventar novas formas de nos conectarmos uns com os outros.

De seguida apresenta a génese do vídeo The machine is using us e explicou como através o user generated filtering lhe permitiu chegar ao top dos rankings de várias plataformas, com um crescimento exponencial do úmero de visualizações. No entanto, Wesch explica que o que é interessante analisar nos media não é conteúdo nem são apenas ferramentas de comunicação. O que é interessante é que os media medeiam as relações humanas e isso é importante, porque quando os media mudam, as relações humanas mudam.

Referindo o sentimento geral de perda de comunidade (referido por  Robert Putnam) das pessoas que vivem nos subúrbios, desconectadas umas das outras e cuja única conexão eram as estradas e as TVs, Wesch estabelece um paralelismo com a atualidade, em que mudamos da conectividade place-to-place para a conexão person-to-person, um fenómeno que Barry Wellman define com networked individualism, uma inversão cultural em que nos estamos a tornar cada vez mais individualistas mas continuamos a alimentar este sentido e desejo de pertença a uma comunidade; quanto mais individualistas e independentes nos tornamos, mais ansiamos por relações interpessoais cada vez mais fortes.

De seguida, é apresentado o estudo (observação participante) que foi levado a cabo pela equipa do antropólogo para estudar os fenómenos sociais que ocorrem na internet, em particular no Youtube, através da criação e partilha de vLogs pelos seus utilizadores, de onde são retiradas ilações muito interessantes:

- Falar para uma webcam cria uma situação de audiência invisível e de assincronia e falta de contexto que podem contribuir para a criação de uma nova identidade num espaço onde é como se toda a gente está a assistir, mas na realidade não está lá ninguém. Por outro lado, há quem sinta que, apesar de ter a noção que haverá outras pessoas a observar, elas não estão presentes naquele exato momento em que elas estão a fazer o vídeo, o que de certa forma lhe permite serem mais autênticas.

- Quando pensamos em nós, habitualmente não pensamos no modo como nós aparecemos às outras pessoas, como os outros nos vêm. Os vLogs e a repetição permitem isso, e incentivam a autorreflexão.

- Vivemos numa tensão cultural, na medida que desejamos criar ligações, mas ao mesmo tempo enquanto indivíduos, vemos essa conexão como constrangedora. O que procuramos alcançar através das tecnologias é precisamente uma forma de conexão sem os constrangimentos. O YouTube possibilita que as pessoas se conectem de forma muito profunda, mas sem a responsabilidade que uma relação desse tipo costuma ter, garantida pela distância e pelo anonimato de quem assiste.

- Atualmente nunca se sabe onde as câmaras podem estar e quando é que determinado vídeo vai ser exposto no Youtube, provavelmente descontextualizado, o que é algo que pode afetar profundamente as nossas vidas.

O vídeo termina em tom otimista, com a apresentação da plataforma MadV, através da qual um apresentador anónimo desafia as pessoas a transmitir algo através de uma frase escrita na mão, obtendo-se exemplos de mensagens reveladoras e poderosas, que revelam autorreflexão e sentido de conexão, bem como a necessidade de exprimir valores que faltam nas suas vidas. Conclui com a ideia de que a comunidade virtual não se trata de uma comunidade amoral, pelo contrário, há vários valores fortes a surgir e a transparecer.

Refletindo sobre todas as questões que o vídeo suscita sob a perspetiva da pedagogia e dos contributos da rede para a educação, consideramos fundamental realçar a visão da internet como um potencial de conexões, de dados e de pessoas, como meio de comunicação capaz de ultrapassar as barreiras da distância de forma praticamente instantânea e como potenciadora de interações sociais, permitindo a participação e facilitando a partilha. Seja através do Youtube, de blogs, de wikis, o conhecimento e a informação passam a estar disponíveis para todos (os que têm acesso à rede), sem custos, o que significa que qualquer pessoa pode expandir os seus conhecimentos sobre qualquer assunto que lhe interesse, podendo inclusivamente tornar-se ela própria produtora de conteúdos. Torna-se aqui necessário questionar o que deve a escola (seja ela tradicional ou não) ensinar? Quais são as competências que a escolaridade básica deve garantir de forma a promover a aprendizagem ao longo da vida? A nível superior, de que forma podem as instituições continuar a fornecer um serviço de qualidade que responda às exigências do futuro? Qual o papel do Professor na educação em rede? E o do aluno?

 

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