A REDE como interface educativo
Após reflexão e discussão acerca da Sociedade em Rede e do fenómeno da Cibercultura, chegou a altura de analisar de que forma a Educação está a ser transformada pela Rede e o que ela comporta.
Os posts que se seguem resultam do trabalho
realizado pela equipa Capa (Alexandra Bastos, Andreia Bento, Cláudia
Asseiceiro, Luís Ferreira e Pedro Videira) no âmbito da Unidade Curricular
Educação e Sociedade em Rede, e baseiam-se na análise crítica de 5 vídeos de
Mike Wesch, disponíveis no Youtube, fundamentada na Bibliografia já analisada
nesta Unidade Curricular complementada por:
· Bates,
A. W. (2017). Educar na Era Digital: Design,
ensino e aprendizagem
· Teixeira,
A., Bates, T., & Mota, J. (2019). What future(s) for distance education
universities?Towards an open network-based approach. RIED. Revista
Iberoamericana de Educación a Distancia, 22(1), pp. 107-126. http://dx.doi.org/10.5944/ried.22.1.22288
· Grajek, S. (2021).
"How Colleges and Universities Are Driving to Digital Transformation
Today"
Contextualização
Michael Wesch é Professor de Antropologia Cultural na Kansas
State University onde, com a sua equipa trabalha como ecologista de media
no campo da etnografia digital. Foi apelidado de “o explicador” pela revista Wired
e também foi o Professor do Ano dos EUA em 2008. Os seus trabalhos têm vindo a
centrar-se no estudo dos efeitos dos novos media na interação humana e na forma
com as pessoas se relacionam em sociedade.
Tony Bates, referência mundial em Educação a Distância
e Tecnologia Educacional, destaca que as grandes mudanças económicas e
tecnológicas que têm vindo a impor alterações profundas na sociedade, têm
impacto na educação e exigem que se pensem novas abordagens para o ensino
superior. Há que repensar o papel dos professores, dos alunos, dos objetivos do
próprio ensino, dos recursos usados, dos métodos ensino, da avaliação e
certificação da qualidade, do lugar dos MOOCs (Massive Open Online Courses)
enquanto modalidade de acesso à educação, do uso de Recursos Educativos
Abertos, em suma, de todo um conjunto de conceções e práticas sobre o que é
ensinar e o que é aprender.
Fundamentando-nos em Bates (2017) optamos por
focar-nos nas seguintes duas questões que se interligam com a temática em
estudo:
· Que
estratégias funcionam melhor para o ensino num ambiente rico em tecnologia?
Como
manter a qualidade do ensino, da aprendizagem e dos recursos num ambiente de
aprendizagem que muda rapidamente [em virtude da evolução tecnológica]?
Teixeira, Bates e Mota (2019) referem que a evolução
da tecnologia e as mudanças que ela comporta conduzem a mudanças de paradigmas
em educação. A necessidade
de aumentar a escalabilidade, a interoperabilidade e a flexibilidade de oferta
educacional impulsionam o ensino digital e aberto na educação superior. A educação
aberta a distância permite chegar a mais regiões, reduzir as dificuldades no
acesso à educação e sobretudo dar resposta a desafios complexos, tais como
crises sociais ou económicas, fenómenos críticos ou situações de resposta
urgente (como por exemplo a pandemia de Covid-19).
O modelo organizacional inovador proposto no artigo What future(s) for distance education universities? Towards an open networkbased approach inspirou-nos a refletir sobre a forma como a revolução tecnológica está a modificar a nossa conceção de educação e isso reflete-se em mudanças de práticas educativas e organizacionais dentro das instituições.
Grajek (2021) reflete sobre a forma como as instituições educativas estão a operacionalizar a sua transformação digital que, de acordo com a Educause, se define como “força de trabalho coordenada, cultura e mudanças tecnológicas, que permitem novos modelos educacionais e operacionais e transformam as operações, direções estratégicas e proposta de valor de uma instituição”. Decorrente desta definição, levantam-se as questões:
- Quais as mudanças na força de trabalho, cultura e tecnologia que se estão a operar nas instituições?
- Como as mudanças [no ensino superior] se relacionam
com os 10 problemas de TI, dos quais, no contexto deste trabalho, optamos por
focar a questão do Ensino Superior centrado no aluno.
Conscientes de que as tecnologias promovem mudanças
rápidas e que a sociedade em rede está a transformar a educação, procuraremos
estabelecer a ponte entre os vídeos de Wesch e a fundamentação teórica dos
recursos bibliográficos a que acedemos, para compreender de que forma a Rede
pode contribuir para recuperar “a antiga dimensão comunitária da aprendizagem,
integrando-a de modo dinâmico com a noção tipicamente moderna de autoformação.”
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